Saúde

Ocular Laser Brasil mira em franquias para popularizar cirurgia refrativa

Ocular Laser Brasil mira em franquias para popularizar cirurgia refrativa

 Rede especializada, que já realizou mais de 10 mil procedimentos, projeta chegar a 100 unidades até 2031 

Em um mercado historicamente dominado por óticas e clínicas oftalmológicas de atendimento amplo, a Ocular Laser Brasil quer ocupar um espaço ainda pouco explorado no país: o de uma rede especializada exclusivamente em cirurgia refrativa, procedimento indicado para a correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia.

Fundada em abril de 2021 por Valter Jobim, mestre em Administração, a empresa nasceu com uma ambição clara: criar a maior rede de cirurgia refrativa do Brasil. A trajetória, no entanto, começou antes da consolidação da marca atual, com um centro cirúrgico próprio em São José, na Grande Florianópolis, e a estruturação de convênios em outros estados. Depois vieram unidades em São Paulo e, mais recentemente, o avanço para o modelo de franquias.

“A Ocular Laser Brasil nasceu com o propósito de oferecer alta qualidade à visão das pessoas. Queremos transformar o hábito da compra de óculos e apresentar uma solução econômica, segura e indolor, que é a cirurgia refrativa”, afirma Jobim.

Hoje, a empresa conta com três unidades físicas e 12 unidades conveniadas em oito estados. Desde a fundação, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Em 2025, a rede ultrapassou a marca de dois mil procedimentos no ano, resultado que embasa o posicionamento da empresa como uma das principais startups brasileiras especializadas no segmento, segundo o fundador.

O crescimento recente ajuda a explicar a nova fase. De 2021 para 2022, a Ocular Laser Brasil registrou um aumento de 74%. No ciclo seguinte, cresceu 118%. Entre 2023 e 2024, avançou 78% e, de 2024 para 2025, 45%. Para o período de 2025 a 2026, a meta é mais ousada: crescer 150%, impulsionada principalmente pelo início da operação franqueada.

Da pandemia à expansão

A história da empresa também carrega um componente de resistência. A operação começou pouco antes de um dos períodos mais difíceis para o setor de saúde privada e para os negócios presenciais. Segundo Jobim, os primeiros meses foram marcados pelo impacto da pandemia, que limitou os atendimentos, reduziu a circulação de pacientes e exigiu uma rápida adaptação do modelo comercial. “O primeiro ano foi muito difícil por causa da pandemia. Mas foi também o período em que entendemos que havia espaço para construir uma marca nacional, com foco específico na cirurgia refrativa”, diz o empresário.

A aposta foi em um modelo mais direto, com comunicação voltada ao público final, facilidades de pagamento e uma jornada de atendimento pensada para reduzir as barreiras de entrada. Antes da consulta médica, o paciente passa por dois exames obrigatórios de aptidão. Apenas se estiver elegível, segue para a consulta e para as etapas seguintes.

Na avaliação da empresa, esse fluxo ajuda a simplificar o processo e a reduzir custos para o paciente, pois evita deslocamentos e consultas desnecessárias para quem não tem indicação clínica para o procedimento.

Cirurgia como alternativa ao consumo recorrente de óculos

O posicionamento da Ocular Laser Brasil mira um ponto sensível do comportamento de consumo: a dependência dos óculos e das lentes de contato. Para Jobim, a cirurgia refrativa ainda é pouco considerada pela população, não por falta de demanda, mas por desconhecimento, receio ou pela percepção de que o procedimento é inacessível. “Nosso foco é democratizar o acesso. A cirurgia refrativa ainda é vista por muita gente como algo distante, caro ou complexo. O que queremos mostrar é que, para muitos pacientes, ela pode ser uma alternativa real, segura e planejada”, afirma.

A empresa também criou o Ocular Social, uma iniciativa que beneficia um paciente com alta miopia a cada 100 atendidos. Outro braço de divulgação é o chamado “media for surgery”, um modelo em que influenciadores e celebridades passam pelo procedimento e compartilham a experiência. Segundo Jobim, mais de 400 influenciadores e personalidades já foram operados pela rede, incluindo o empresário Roberto Justus.

Franquia voltada a médicos e investidores

A próxima etapa da Ocular Laser Brasil será a abertura de franquias. A primeira fase deve priorizar Santa Catarina, onde a meta é alcançar 10 unidades em 2026. Depois, a expansão para outros estados com base nos resultados iniciais.

O modelo será voltado a oftalmologistas com perfil empreendedor e a investidores com experiência comercial, disponibilidade integral e formação ou vivência em gestão. A proposta é atrair profissionais que já operam ou desejam atuar no segmento, bem como empreendedores interessados em um nicho de saúde com potencial de crescimento.

“Buscamos oftalmologistas com perfil empreendedor e investidores que entendam a importância da operação comercial. Não é apenas abrir uma unidade. É preciso ter dedicação, gestão e capacidade de seguir um modelo pensado para a escala”, explica Jobim.

A meta de longo prazo é ambiciosa: estar em 20 capitais até 2031, com entre 50 e 100 franquias em operação. Se o plano se confirmar, a rede estima alcançar uma média de 30 pacientes por unidade por mês, o que equivale a cerca de 1.200 olhos operados por mês.

Um mercado ainda pouco consolidado

A tese de expansão da Ocular Laser Brasil parte da leitura de que o mercado brasileiro de cirurgia refrativa ainda apresenta baixa penetração em comparação com o de outros países. Segundo Jobim, boa parte do público que usa óculos poderia passar por avaliação para o procedimento, mas ainda não chega às clínicas por falta de informação ou por barreiras de acesso.

“Hoje, o mercado ainda é muito dominado pelas óticas. Entre 20 e 55 anos, uma parcela relevante da população usa óculos, e muitos desses pacientes podem ser elegíveis à cirurgia. Existe uma demanda reprimida grande”, afirma.

O empresário também aposta em mudanças comportamentais para sustentar o crescimento do setor. O aumento do uso de telas, especialmente entre jovens e adultos, tem sido associado por especialistas ao avanço dos casos de miopia no mundo. Para a Ocular Laser Brasil, esse cenário tende a ampliar a procura por soluções definitivas ou de longo prazo para correção visual.

Apesar do potencial, Jobim reconhece que o segmento exige confiança, padronização e segurança clínica. A empresa ainda não possui certificações setoriais, mas está em processo de obtenção da ISO 9001 e do selo Great Place to Work.

Especialização como estratégia

Diferentemente de clínicas oftalmológicas tradicionais, que costumam oferecer atendimento amplo, a Ocular Laser Brasil aposta na especialização como diferencial competitivo. A proposta é concentrar a comunicação, os processos comerciais, a jornada do paciente e a expansão nacional em torno de um único procedimento.

“Não existem muitos players focados exclusivamente em cirurgia refrativa no Brasil. A maioria das clínicas trabalha com oftalmologia de A a Z. Nós escolhemos ser uma marca específica para esse procedimento”, diz.

Com a chegada das franquias, a Ocular Laser Brasil entra em uma fase em que deve testar a capacidade da empresa de transformar um modelo regional em uma rede nacional. O desafio será equilibrar crescimento acelerado, padronização clínica, reputação médica e experiência do paciente em um setor em que a confiança ainda é o principal ativo.

Crédito das fotos: Augusto Máximo

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