Economia forte e digitalizada coloca Santa Catarina no radar de hackers
Cidades estratégicas e altamente produtivas como Florianópolis e Itajaí estão entre os alvos principais; evento realizado no dia 8 na capital catarinense discutirá melhores práticas em segurança cibernética para proteger empresas e o governo
O perfil socioeconômico de Santa Catarina, marcado por alto índice de desenvolvimento humano e forte atividade industrial e logística, explica o crescente interesse de hackers pelo estado, especialmente em polos estratégicos como Itajaí. Com um dos principais complexos portuários do país, ligado ao comércio exterior, transporte marítimo e operações de armazenagem, a cidade concentra grande volume de dados sensíveis, contratos internacionais e transações financeiras digitais.
A presença de empresas de logística, comércio exterior, transporte e serviços associados aumenta a superfície de ataque, tornando o município um alvo atrativo para golpes de engenharia social, invasões de e-mail corporativo e tentativas de ransomware voltadas à interrupção de operações. "Nesse contexto, a intensa digitalização das cadeias logísticas e a dependência de sistemas integrados ampliam os riscos cibernéticos, já que qualquer incidente pode gerar impactos financeiros relevantes e efeitos em cascata sobre fornecedores e parceiros comerciais", explica Marcelo Branquinho, especialista em segurança cibernética e CEO da TI Safe, empresa que realizará no dia 8, na capital catarinense, evento que discutirá as melhores práticas em proteção digital com foco em inteligência artificial.
Episódios recentes corroboram este cenário. Em dezembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Power OFF para prender suspeitos de manter serviços que vendiam ataques virtuais contra sites e sistemas no Brasil. As ações ocorreram em diversas cidades do país, incluindo Tubarão, no Sul de Santa Catarina, onde foram cumpridos mandados de busca e prisão. Segundo a PF, o grupo vendia ataques conhecidos como DDoS (Distributed Denial of Service), quando um sistema recebe um grande volume de acessos ao mesmo tempo, de forma artificial, até ficar instável ou sair do ar. As plataformas ilegais permitiam que qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, pagasse para derrubar sites ou prejudicar serviços online.
Marcelo explica que outros riscos incluem golpes de engenharia social, em que criminosos se passam por parceiros para induzir pagamentos indevidos; invasões de e-mail corporativo, que podem levar ao desvio de cargas ou alteração de dados bancários; e ataques de ransomware, capazes de bloquear sistemas e interromper entregas. "Quando uma empresa desse ecossistema é afetada, o impacto raramente fica restrito a ela. A paralisação de um operador logístico, por exemplo, pode atrasar entregas, interromper contratos e gerar prejuízos em cadeia para clientes e fornecedores. Entre os principais cenários estão a manipulação maliciosa de sistemas de gestão de cargas, que pode alterar rotas ou prazos; o acesso indevido a plataformas internas para apagar dados ou paralisar operações; e a exploração de credenciais vazadas para interromper serviços críticos, entre muitos outros", alerta.
Evento no dia 8 abordará nova era da segurança cibernética
A TI Safe, empresa que é referência nacional em cibersegurança de infraestruturas críticas, realizará no próximo dia 8 de abril, quarta-feira, às 18h30, no Coco Bambu da Av. Me. Benvenuta, 687 - Santa Monica, Florianópolis, seu Cyber Security Roadshow 2026, cujo objetivo é debater os riscos crescentes e apresentar soluções inovadoras para proteção de ativos industriais e operacionais. O evento terá a presença do CEO da TI Safe, Marcelo Branquinho; do CTO da empresa, Thiago Branquinho; e de representantes da Claroty, empresa global de cibersegurança para ambientes industriais e parceira estratégica da TI Safe. O encontro reunirá engenheiros de automação, gerentes de TI, especialistas em OT, gerentes de segurança, CISOs, CEOs e CTOs
Revista Sucesso SA 