« Edição: Abril 2010 - Ano7 Nš 76
A cultura tem que ser para todos. Quando eu faço uma escultura ou objeto decorativo tento imprimir um caráter cultural para que a pessoa olhe e consiga trazer algum conhecimento para dentro dela”. Assim Emanuel Vasco da Graça Nunes resume uma das propostas de seu trabalho como artista plástico. Emanuel é também um empreendedor que comercializa obras e pretende fomentar a técnica da escultura na região.
O trabalho do artista tem também como objetivo preservar a memória, a cultura da região, dentro de um contexto mais urbanístico. “É tentar unir uma questão cultural com a vivência da pessoa no dia-a-dia, para que ela enriqueça não somente com o olhar, mas ao sentir o que a peça comunica. E fazer com que o espaço que a rodeia seja mais agradável”, explica.
Nascido em Moçambique, na Africa o artista plástico viveu em Maláui e depois em Portugal, onde cursou Engenharia de Produção e iniciou os estudos em Belas Artes. “Quando pequeno construí esculturas, desenhei e montei peças. Foi uma vertente que já vinha da infância. Entrei na área de indústria e tive a felicidade de encontrar uma fundição que tinha um local onde se fazia esculturas de bronze. Frequentava a fundição duas a três vezes por semana para o aprendizado em mecânica e me interessei pela escultura porque era mais difícil e por ter outro cunho de identidade”, lembra Emanuel.
Em 1985, começou a atuar como fundidor de Artes Plásticas com reprodução de obras. Trabalhou na restauração de peças de museus e na fundição da Casa da Moeda Portuguesa, onde desenvolveu o processo de cera perdida, um dos melhores processos de fundição com o qual é possível obter a mesma qualidade em peças de poucos centímetros ou de alguns metros de altura.
Uma obra pode ser projetada considerando as propostas do cliente. O processo de produção de objetos de decoração, bustos, estátuas, logomarcas e outras esculturas, começa geralmente com um molde em argila. Já a fundição é realizada através de parceria com uma empresa da região. Emanuel reutiliza sucata como matéria-prima e materiais como bronze, alumínio, ferro, aço inoxidável, cristal e madeiras nobres, entre outros. Se o espaço disponível é maior, as obras podem incrementar halls, paredes, fachadas, jardins e demais ambientes externos. “Eu gosto de trabalhar em cima da cultura, rebuscar um pouco o patrimônio”, descreve.
Para Emanuel, arte é capaz de melhorar a qualidade de vida das pessoas, seja dentro de casa, no ambiente de trabalho ou na rua, e sempre com o poder de difundir conhecimento, quebrar o ritmo cotidiano, tocar e fazer as pessoas pensarem e sentirem algo diferente.
Informações: Emanuel Nunes (47) 8852 2380
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