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« Edição: Fevereiro 2010 - Ano7 Nº 74

ESPORTE

Aventureiros no céu do Alto Vale

Aos finais de semana, aventureiros se reúnem em montanhas do Alto Vale do Itajaí para curtir a natureza e a sensação de liberdade ao decolar em voos de parapente. O esporte radical será uma das atividades alusivas ao aniversário de Rio do Sul com a realização do 1º Festival de Voo Livre, marcado para os dias 10 e 11 de abril. O evento é uma iniciativa do Clube Riossulense de Voo Livre, fundado há três anos.
Um dos idealizadores da entidade, que hoje tem 18 integrantes, é o comerciante, Orlando Paiano, que conheceu o esporte durante um festival de parapente em Timbó. Quando viu pela primeira vez os pilotos decolando e ganhando os céus, Orlando decidiu se matricular na Clínica de Pilotos e Instrutores, curso promovido pela Associação Brasileira de Parapente (ABP) para sentir a adrenalina desse esporte. O piloto utiliza um equipamento feito essencialmente de tecido e linhas, que possibilita voos por longas distâncias e é facilmente guardado e transportado em uma mochila.
“É uma sensação de poderio, de liberdade por você voar livre, sem nenhuma carenagem como num avião ou planador”, descreve Orlando.    A prática aos finais de semana atraiu outros aventureiros e com o credenciamento, o esportista passou a dar treinamento a novos praticantes e oferecer voos duplos, quando uma pessoa pode voar em companhia do instrutor. O curso tem cerca de 35 horas/aulas e dura cerca de quatro meses. O aluno recebe material didático para estudar em casa e dispõe do equipamento para as aulas práticas. “No parapente, o segredo está exatamente na decolagem e pouso. Navegar é fácil, tanto que quanto se faz o voo duplo é possível passar o comando para o caroneiro”, afirma Orlando.
Os aventureiros da região se reúnem geralmente no bairro Bela Aliança, em Rio do Sul, onde utilizam a montanha como rampa para a decolagem. Também sobrevoam Presidente Getúlio, Timbó, Laurentino e ainda Salete, onde foi firmada parceria com a Prefeitura para melhorar a estrada de acesso e a estrutura da rampa. De acordo com o Orlando, é importante que as administrações municipais prestem auxílio para desenvolver o esporte como um atrativo do ecoturismo.
A condição essencial para a prática do parapente é o clima. “Temos que respeitá-lo com muita seriedade Para o esporte, é bom um dia com poucas nuvens e um vento entre 10 e 20 km/h. O vento legal que chamamos é aquele entre 13 e 20 km/h, não passando disso”, explica Orlando. É este vento que, ao bater na montanha toma uma trajetória ascentende e mantém o equipamento no ar, para o chamado voo de lift. Nessas condições é possível descer e subir a qualquer momento. Há ainda o voo termal, quando se aproveita o calor desprendido pela terra que forma bolhas de ar quente ascendente, uma zona de baixa pressão que sustenta o voo. Uma das maneiras de detectar a termal é a formação de nuvens ou acompanhar o voo dos urubus que utilizam das térmicas para voar.

EVENTO DE INTEGRAÇÃO
FOMENTA O ECOTURISMO

Todos os praticantes desse esporte devem estar credenciados pela ABP ou Associação Brasileira de Voo Livre. Para isso, é preciso que o piloto esteja filiado a um clube, como explica o presidente do grupo riossulense, Jean Caetano. “Este foi um dos motivos que culminaram na criação do clube, assim como a maior integração entre os pilotos da região”, destaca Jean.
Integração que vai ocorrer também com esportistas de todo o país durante o Festival de Voo Livre. O evento faz parte do calendário das festividades de aniversário do município.
O clube espera cerca de 150 pilotos de parapente e asa delta. “Muitos desses pilotos terão a oportunidade de conhecer nossa cidade bem como voar em nossas rampas que podem ser consideradas as melhores da região”, afirma Jean.
O festival servirá também como incentivo a novos eventos do esporte na região. “Temos a pretensão de trazer uma etapa do Campeonato Catarinense, o Sulbrasileiro e depois pensar em algo maior”, afirma Orlando.
Tanto nas competições como nos voos de lazer a segurança é uma preocupação constante. Além de respeitar as condições climáticas, os praticantes utilizam capacete, roupa adequada e paraquedas para evitar acidentes. Também é necessária uma condição física saudável e para isso considera-se aptos os portadores de carteira de habilitação, já que é realizado um exame médico básico para retirar o documento. O parapente passa por revisão na empresa fabricante uma vez por ano. O investimento para adquirir o equipamento completo é de cerca de R$ 8 mil.
Interessados em conhecer o esporte podem se aventurar em um voo duplo, mediante prévio agendamento.

Informações: Orlando Paiano (47) 9931 1546

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