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« Edição: Janeiro 2010 - Ano7 Nº 73
Inauguração
Nova fonte de energia para Santa Catarina
O Alto Vale do Itajaí iniciou um novo ciclo de produção de energia e ganhou mais representatividade no sistema elétrico de Santa Catarina. São mais 182,3 megawatts de potência de produção com o início das atividades da Usina Hidrelétrica Salto Pilão, o que representa a adição de 6% à capacidade instalada do Estado.
Foram 40 meses de obras e cerca de R$ 500 milhões investidos pelo Consórcio Empresarial Salto Pilão (Cesap), formado pelos grupos Votorantim, Camargo Corrêa Energia e DME Energética. Parte desses recursos foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O empreendimento, localizado nos municípios de Apiúna, Ibirama e Lontras, foi inaugurado dia 15 de dezembro durante evento que reuniu lideranças políticas e empresariais e representantes da comunidade, que percorreram parte dos 10,5 quilômetros de túneis escavados em rocha.
“Historiadores contam que em 1876 o engenheiro, Emil Odebrecht, chefiou uma expedição de homens para explorar o Alto Vale do Itajaí. Chegando a certo ponto registrou em seu diário: aqui um dia o homem haverá de utilizar as forças dessas águas para o seu desenvolvimento. Hoje, passados 133 anos, esta visão se torna realidade”, destacou o diretor superintendente da Votorantim Energia, Otávio Carneiro de Rezende. De acordo com Otávio, a Usina, além de reforçar o sistema elétrico catarinense, libera energia para atender o crescimento da demanda de importantes parques industriais do Estado.
O projeto possui o diferencial de ser quase que inteiramente subterrâneo e sem reservatório de contenção, por isso chamada usina hidrelétrica a fio d'água. “É uma usina que teve seu projeto muito adaptado às condições naturais daqui. Com isso consegue-se explorar harmonicamente a energia elétrica e ao mesmo tempo minimizar os impactos ambientais na região”, afirma o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann.
A construção da usina envolveu 24 programas ambientais com aprovação da Fundação do Meio Ambiente (Fatma). Na etapa inicial, foi realizado o salvamento da flora e da fauna. As plantas características da região foram preservadas em áreas de vegetação localizadas em imóveis de propriedade da usina. A espécie raulinoa echinata, popularmente conhecida como cutia-de-espinho, recebeu atenção especial com um projeto de produção de mudas que preserva e aumenta área de sobrevivência da planta ao longo de 60 quilômetros de margens do rio Itajaí-Açu.
Na localidade da Subida, em Apiúna, foi instalada uma estação de tratamento de efluentes para dar destino correto ao esgoto sanitário produzido nas frentes de obra e rejeitos do refeitório.
USINA MOVIMENTA A ECONOMIA DOS MUNICÍPIOS
A Usina Hidrelétrica Salto Pilão impulsionou a economia da região, principalmente das cidades de abrangência da obra. A geração de empregos, o incremento da arrecadação municipal e a circulação de moeda no comércio são alguns reflexos desse empreendimento. O Cesap também realizou obras e repassou equipamentos aos municípios.
“O início da operação da usina é um marco histórico para a nossa região, o maior empreendimento da história dos municípios de Apiúna, Ibirama e Lontras. Já tivemos ganhos nas medidas compensatórias. Esses valores foram aplicados nas áreas de saúde, educação e ações sociais”, afirma o prefeito de Ibirama, Duílio Gehrke.
Os municípios estão interligados pelos 14 quilômetros do curso do rio, entre Salto Pilão, na divisa de Ibirama e Lontras, e a Subida, em Apiúna. Nesse trecho encontra-se a barragem de 209 metros de comprimento e três de altura que eleva o nível do rio em pequenas proporções. Uma tomada d'água junto a essa estrutura é capaz de captar até 100 metros cúbicos de água por segundo.
Na sequência está um túnel com 6,7 quilômetros e quase 8 metros de diâmetro que conduz a água até o conduto forçado, tubo com 295 metros de comprimento. Neste ponto, se aproveita o desnível, que proporciona uma queda de 200 metros, para que a água passe por comportas e chegue à caverna que abriga a casa de força. É neste espaço subterrâneo que estão os dois conjuntos geradores.
A água que passa pelas turbinas é devolvida ao rio através do túnel de fuga. Já a casa de comando é uma construção externa onde ficam os operadores e a estrutura de controle. A subestação elevadora conecta a usina com a linha de transmissão da Celesc.
Com esta estrutura e a potência atual, a usina pode abastecer, por exemplo, uma região com cerca de 700 mil habitantes. “Santa Catarina tem fome de energia. Por isso queremos ver em execução dezenas de usinas geradoras de energia para o nosso sistema”, destacou o governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, durante a inauguração.
SALTO PILÃO ABRIGA A MARIA FUMAÇA
Pela grandeza da obra, a Usina Salto Pilão já é um atrativo turístico. Há cerca de seis meses, foi inaugurado o Centro de Atendimento ao Visitante. O prédio com arquitetura em estilo enxaimel possui estrutura para atividades de educação ambiental, exposição de fotografias da obras e acervo técnico. Porém, a maior novidade turística do empreendimento foi inaugurada junto com a usina. Enquanto a cerimônia era encerrada, o público acompanhava ao vivo pelo telão a chegada da Maria Fumaça. Em poucos segundos o apito da locomotiva da marca Baldwin não era mais ouvido pela transmissão, mas sim, diretamente do maquinário que percorria os trilhos.
O trecho inicial possui cerca de três quilômetros com a meta de fazer da Maria Fumaça mais um ponto de visitação. O projeto conta com o apoio da Fundação Tremtur e Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e mostra às novas gerações esse meio de transporte que ficou famoso nos tempos da Estrada de Ferro Santa Catarina (E.F.S.C.), desativada no início da década de 70.
Dessa forma a Usina Salto Pilão destaca a cultura, a memória e o passado da região e contribuí para a suficiência em energia elétrica, essencial para um presente e futuro de desenvolvimento.
Informações: www.usinasaltopilao.com.br
Usina Hidrelétrica
Salto Pilão em números:
• Potência Instalada: 182,3 megawatts
• Início da obra: 1º de agosto de 2006
• Inauguração: 15 de dezembro de 2009
• Área inundada: 0,15 km²
• Distância entre a barragem e a casa de força: 14 km (pelo curso do rio)
• Túneis escavados em rocha: 10,5 km de extensão
• Empregos diretos e indiretos gerados pela obra: 1,2 mil
• Investimentos: R$ 500 milhões
• Investidores: Consórcio Empresarial Salto Pilão (Votorantim, Camargo Corrêa Energia e DME Energética)
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