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« Edição: Dezembro 2009 - Ano6 Nº 72

Entrevista

A Arte de Liderar Competências Essenciais

O encontro de Gestão Empresarial 2009 ocorreu no dia 17 de novembro no Parque Universitário Norberto Frahm, em Rio do  Sul. A  Fundação  Fritz  Müller  (FFM)  e  Fundação  Dom  Cabral (FDC) através do programa PAEX SC 5 – Parceiros para a Excelência - trouxeram aos empresários e executivos da região temas como: Modelo de Gestão Orientado para Resultados, Desafios na gestão Familiar, a Arte de Liderar: Competências Essenciais – Libertar a Mente, Elevar a Equipe, Recrear o Espírito, Inovar a Obra, Empreender o Futuro.
A diretora presidente da empresa que vem se consolidando como referencial de moda masculina no país com as marcas BASE CO, Individual e Dudalina, Sônia Regina Hess de Souza apresentou o Case Gestão Empresarial – Dudalina S/A e, o professor convidado da FDC, filósofo, mestre e doutor em educação, consultor e conferencista nas áreas de Filosofia, Ciências da Religião, Ética e Responsabilidade Social, Educação e Gestão de Conhecimento, Mário Sérgio Cortella, palestrou sobre a Arte de Liderar.
A revista Sucesso S/A conversou com Cortella e preparou uma entrevista exclusiva para você, acompanhe:

Sucesso S/A: Liderar é uma arte?
Cortella: Sim, liderar é uma arte porque é uma mescla de ciência, técnica, capacidade e competência. Cabe ressaltar, que para caracterizar arte é preciso ir além do óbvio e ter grande sensibilidade, porque afinal de contas a técnica, as vezes, é mera reprodução e a liderança não é cópia. Por isso, com a mescla dessas características mais a sensibilidade e capacidade de criação, a liderança se transforma de fato em uma arte.

Sucesso S/A: O que é liderança e quais as características de um líder?
Cortella: Liderança é uma virtude, não um dom. Se liderança fosse um dom, ou seja, se alguém já nascesse com ela, não teria porque escrever livros ou fazer palestras. Sendo uma virtude, há algumas características que a liderança precisa carregar. A primeira delas é a capacidade imensa de ter generosidade mental – repartir aquilo que sabe, aquilo que conhece, as competências que detêm; a segunda característica é a coerência ética – praticar aquilo que ensina, ter a capacidade de não ter duas caras, adotar a integridade; e a terceira é humildade intelectual -  ter a capacidade de compreender que não sabemos todas as coisas, de todos os modos, de todos os tempos. Com essas três características já há um ponto de partida para chegar a ser um líder. Líder é aquele que faz falta, na festa, no passeio, na igreja, no trabalho... na vida.

Sucesso S/A: Exemplos de bons líderes. Um mestre.
Cortella: Há grandes mestres. Eu, por exemplo, convivi por 17 anos com Paulo Freire, ele foi meu orientador no doutorado e um mestre especial na arte de liderança. Ele foi meu chefe quando era secretário da educação da cidade de São Paulo e eu era secretário adjunto. Embora meu chefe na prática, Paulo Freire foi também um líder, porque eu não o obedecia, eu o seguia, admirava, respeitava.  A chefia muitas vezes está ligada a hierarquia, enquanto a liderança é uma questão de admiração, de conquista.

Sucesso S/A: Como doutor em educação, professor. O que significa educação?
Cortella: A educação é a capacidade de elevar a vida, de fazer com que a gente ultrapasse alguns momentos que nos aprisionam dentro da questão atual e nos coloque numa condição superior para todos. Por isso, educação sem ética não faz sentido, é estritamente individual, é egoísta e não há capacidade de partilha. Educação é ruptura do óbvio, ou seja, da ideia de que não há outro modo para as coisas serem. A educação deve auxiliar, incentivar e promover a inovação, ao invés de apenas elogiar a repetição.

Sucesso S/A: Como a filosofia pode contribuir no dia-a-dia?
Cortella: A filosofia tem uma grande proposta, incomodar, romper algumas coisas que pareciam evidentes. Ela contribui imensamente para nos deixar inquietos, criativos e preocupados. A filosofia pergunta pelos porquês, não pelos comos. Ao contrário da ciência que pergunta pelo funcionamento, a filosofia questiona as razões. Se desejamos viver de uma forma menos alienada e mais inteira a filosofia tem lugar, assim como a arte, a religião...

Sucesso S/A: O que você entende por sucesso?
Cortella: Sucesso é aquilo que faça com que, quando eu deixar de estar, a vida seja melhor do que quando eu cheguei. Sucesso é a minha capacidade de elevar a condição de uma existência coletiva. É aquilo que permite que eu seja proprietário de coisas que não são proprietárias de mim, isto é, como diz Millôr Fernandes “que eu não seja possuído por aquilo que eu possuo”. Sucesso é saber que a carreira é como uma escada, você tem ela para ir há algum lugar, não para ficar sobre ela. Sucesso serve para que eu seja mais feliz com os outros que comigo partilham a vida, do contrário não há porquê. Como dizem os chineses “quando a partida de xadrez termina, o peão e o rei vão para a mesma caixinha, tanto faz quem venceu”.

Sucesso S/A: Para finalizar, uma mensagem aos leitores da revista Sucesso S/A.
Cortella: Liderança é algo que ajuda a proteger o futuro, aquilo que impede a desertificação dos sonhos, impede a esterelização das elevações da vida. E, deste ponto de vista, a pessoa que deseja a liderança não tem que entender a liderança como uma forma de poder egoísta. A finalidade do poder é servir e não se servir. Por isso, o poder empresarial, político, magistrado, docente, da mídia... precisa ser um poder a serviço da vida coletiva.

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