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« Edição: Novembro 2009 - Ano6 Nš 71
Cidade do Alto Vale
WITMARSUM
Município tem a agricultura como principal fonte de renda,
mas investe no setor de serviços e atrativos coloniais
Witmarsum significa “estrela azul”, termo utilizado pelos imigrantes russos que chegaram à localidade no Alto Vale do Itajaí por volta de 1930. Seis anos antes o território já era habitado por soldados alemães que com o fim da Primeira Guerra Mundial e trazidos pela companhia colonizadora, encontraram na região um novo lar. Estes batizaram a localidade de Nova África já que haviam lutado no continente africano.
Há ainda outra versão sobre o nome da cidade. Pesquisas de uma universidade da Holanda explicam que o termo surgiu das palavras “Witmar” (que seria o nome do fundador da religião menonita) e “sum” que significa jardim. Apesar da diferença nos registros históricos o que se sabe é que Witmarsum é uma cidade que aposta na preservação da cultura dos colonizadores.
A religião menonita ainda é praticada no município que abriga descendentes de alemães, russos, poloneses e italianos. A maior parte dos cerca de 3.500 habitantes busca renda basicamente da mesma forma que os colonizadores, já que 70% da cidade tem como principal atividade a agricultura. O território de 130 km² é utilizado principalmente para o cultivo do fumo. Porém, algumas famílias vêem no turismo rural uma oportunidade de crescimento financeiro.
Até o ano que vem Witmarsum deve lançar um circuito do projeto Acolhida na Colônia que tem o objetivo de transformar em atrativo turístico a arquitetura, a gastronomia e a atividade no campo. Em Witmarsum, a família Lunelli prepara uma pousada rural e a produção de amora orgânica com vinho e derivados, enquanto a família Warmeling aposta na produção de pêssego, uva e caqui para vinho, geléia, suco e compota. Já o sítio Steffen oferecerá quartos coloniais, trilha ecológica e estrutura para pesca e o sítio Stacholski cultiva morango orgânico e planeja plantar tomate e amora.
Como atrativos a cidade possui as igrejas construídas pelos menonitas e o Centro Cultural Paul Zerna aberto à visitação. O casarão construído na década de 30 foi reformado e reúne artesanato, produtos coloniais e peças antigas que retratam a história do município. Entre os atrativos naturais, Witmarsum oferece a Cachoeira do Cambará, onde é praticado rapel noturno.
Outro projeto de destaque é a festa do Dia do Colono, comemorado em 25 de julho. “É uma festa tradicional, a maior do município”, destaca o prefeito, Fridolino Nitz, já que Witmarsum possui ainda festas nas comunidades do interior. Durante o evento é realizado torneio leiteiro, exposição de gado, maquinário e artesanato, bailes e shows. Tradicional também é a feijoada, o carreteiro e a carreata que na última edição reuniu cerca de 300 caminhões.
MADEIRA E FACÇÃO FOMENTAM MERCADO DE TRABALHO
Muitas famílias de Witmarsum têm se dividido entre o trabalho no campo e o setor de prestação de serviço. A cidade possui sete facções maiores, além de pequenas nas comunidades do interior, e ainda trabalhadoras que costuram em casa. “Na área de emprego o que mais oferece vagas é a facção. Em segundo lugar estão as indústrias de madeira de compensado”, afirma o prefeito. São quatro empresas de compensado que se destacam.
Alguns agricultores também investem em madeira, mas com reflorestamento de áreas com pinus e eucalipto. “Hoje está se investindo muito na uva. Esse ano começaram mais quatro agricultores neste cultivo”, destaca Fridolino.
Para o prefeito, a agricultura tem enfrentado problemas devido as adversidades climáticas dos últimos anos. Apesar disso a administração continua a dar suporte aos agricultores. “Nossa meta é investir na agricultura, porque a maioria das pessoas reside na área rural. E uma propriedade tem que ser administrada praticamente como uma pequena empresa”, ressalta Fridolino. Para fortalecer o setor, os agricultores se organizam em dez associações distribuídas nas comunidades do interior.
O associativismo também uniu Witmarsum as cidades vizinhas, Dona Emma e José Boiteux, através da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A entidade atua nos três municípios sob a presidência do contabilista, Acácio Moser e tem como desafio fomentar o comércio local e fazer com que a comunidade frequente os estabelecimentos em suas próprias cidades.
A CDL foi fundada há três anos, inicialmente em Witmarsum que participa hoje com 21 associados. “O que mais me motivou a este trabalho foi ver que cerca de 70% do nosso município efetuava as compras fora daqui”, afirma Acácio.
Além da consulta ao crédito, a entidade promove cursos de capacitação, palestras e dá apoio aos empresários na realização de promoções. “Já fizemos um trabalho de capacitação de mão-de-obra para a facção. Foi um sucesso. A prefeitura ajudou com recursos e nós contratamos professores para as costureiras”, lembra o presidente. Witmarsum também dispôs de uma sala para estruturar a entidade, porém as reuniões ocorrem alternadamente nas três cidades e visam o desenvolvimento de cada município.
De acordo com Acácio, a CDL também faz um trabalho de conscientização dos comerciantes para que efetuem cadastro de clientes, como uma forma de manter contato e dar segurança, tanto para quem vende como para quem compra, além do controle das vendas a prazo. São ações como esta que organizam o setor para, com a indústria e a agricultura, desenvolver o município.
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