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04/04/2011
Rio do Sul 80 anos
15 de abril de 2011. Uma data especial para Rio do Sul. Completados os 80 anos, a cidade celebra uma história de tradição, empreendedorismo e trabalho e planeja as próximas décadas para continuar a ser polo de desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí e o local onde as pessoas encontram oportunidades para prosperar.
O pioneirismo dos imigrantes
O desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí iniciou com as tentativas de integração entre as populações do litoral e da região serrana. A abertura de estradas foi motivada pelos interesses e esforços do governo, das companhias de colonização e a iniciativa de pessoas que trouxeram a cultura europeia para a região.
Com uma posição geográfica privilegiada, no meio desta rota, Rio do Sul começou a ser povoada por imigrantes italianos e alemães e seus descendentes que povoavam o Vale do Itajaí.
Em 1863, o engenheiro Emil Odebrecht já iniciava uma de suas expedições rumo ao Planalto. Quatro anos mais tarde, o desbravador voltou a passar pelo território que viria ser Rio do Sul, deixando uma picada que por muitos anos foi a única ligação entre Blumenau e o Planalto.
A cidade de Blumenau, que fora criada por lei em 1880 e instalada oficialmente em 1883, se tornara um importante centro nas áreas de colonização. Os colonizadores se embrenharam por áreas inóspitas, cobertas pela Mata Atlântica, e já habitadas pelos índios Xokleng que com arcos e flechas tentavam impedir os avanços desse novo povo.
A picada deixada por Emil Odebrecht foi utilizada pela corrente de povoamento. O rio Itajaí-Açu, formado pela junção dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, desempenhou um papel fundamental na fixação dos colonizadores na região do Alto Vale do Itajaí, que iniciou oficialmente em 1892 com a chegada do primeiro colono, o imigrante alemão Francisco Frankenberger, que veio de Blumenau e se fixou na localidade de Matador.
Pouco tempo depois chegou à região Basílio Corrêa de Negredo, amigo do engenheiro, e que durante 30 anos trabalhou com o serviço da balsa que havia sido construída a mando da Prefeitura de Blumenau.
Francisco Frankenberger
O primeiro imigrante alemão
Francisco Frankenberger se fixou na região em 1892, na localidade conhecida como Braço do Sul – Matador (hoje Rio do Sul).
O imigrante nasceu em Hilbershausen, comarca de Wuerzburg, na Baviera (Alemanha), no dia 7 de outubro de 1856. Ali, desempenhou o cargo de prefeito. Chegando ao Brasil, se tornou amigo do padre José Maria Jacobs, pároco de Blumenau.
O imigrante alemão visitou o Alto Vale, onde adquiriu terras que pertenciam ao Estado de Santa Catarina na localidade de Matador, que os demais imigrantes alemães viriam a chamar de Bella Alliança, devido à união dos rios Itajaí do Sul e rio Itajaí do Oeste que forma o Itajaí-Açu. Francisco Frankenberger faleceu em 1931, em Rio do Sul, mas deixou um diário com o registro do seu dia a dia e do modo de pensar dos integrantes da colônia.
Basílio Corrêa de
Negredo, o balseiro
Basílio Corrêa de Negredo nasceu em Nova Trento, em Santa Catarina no dia 14 de setembro de 1823 e foi um dos primeiros homens a chegar em Rio do Sul. Foi casado com Joaquina Maria de Jesus com quem teve dois filhos. Indicado pela prefeitura de Blumenau, trabalhou no serviço de balsa na cidade, na época ainda uma localidade chamada “Suedarm” ou Braço do Sul.
Com seus filhos, contribuiu na construção da Capela de São João Batista, na margem esquerda do rio Itajaí do Sul. O balseiro faleceu em 1907, aos 85 anos.
De Braço do Sul a Bella Alliança,
e a emancipação de Rio do Sul
Em 1894, a estrada Blumenau-Curitibanos chegou a Lontras, no Alto Vale do Itajaí, quando foram feitas as medições e transferência de terras para os colonos. Com o aumento da atividade colonizadora, em poucos anos o povoamento se espalhou por outras áreas do Alto Vale devido também ao trabalho de empreiteiros e construtores de estradas. Os tropeiros sofriam ataques dos índios Xokleng que habitavam os campos e florestas.
O processo de pacificação dos indígenas iniciou em 1914, quando Eduardo de Lima e Silva Hoerhann conseguiu se comunicar com os Xokleng, mostrando amizade e entrando na mata. Conta a história que ao encontrar os índios desconfiados tirou suas roupas e largou suas armas. Passou a viver entre eles para aprender a língua e costumes.
Os registros históricos contabilizam que entre 1903 e 1914, cerca de 1,6 mil imigrantes alemães chegaram ao Vale do Itajaí, número que aumentou para 2.781 entre 1923 e 1926.
A comunidade que se formou às margens do rio Itajaí-Açu se chamava “Suedarm”, ou seja, Braço do Sul. Em 1912, a localidade foi elevada à condição de vila e sede do 5º Distrito de Blumenau pela Lei Municipal nº 61, de 13 de março daquele ano, passando a se chamar Bella Alliança.
Com a emancipação política definida em 15 de abril de 1931, a localidade passou a se chamar Rio do Sul, assumindo naquele dia Eugênio Schneider como primeiro prefeito. O trabalho do deputado estadual, Ermembergo Pellizzetti, foi fundamental para a emancipação.
Estrada de Ferro de Santa Catarina
A máquina que movimentou a economia
Em 1909, foram inaugurados os primeiros 30 quilômetros da Estrada de Ferro de Santa Catarina, ligando Blumenau a Indaial. A movimentação do trem marcou uma nova era de progresso e desenvolvimento para o Vale do Itajaí. Os trilhos foram construídos a uma altura para que não fossem atingidos nas enchentes tidas como moderadas.
Em 1923, começou a ser construído o trecho até Rio do Sul. As dificuldades das obras fizeram com que o trecho fosse inaugurado na Estação de Lontras apenas em 1929. Três anos mais tarde foi inaugurado o trecho até Rio do Sul e em 1937 os trilhos chegaram até a Barra do Trombudo. A Estrada de Ferro chegou até São João da Agrolândia, sendo que o trem além de carregar cargas fazia o transporte de pessoas. O último apito da Maria Fumaça foi ouvido no dia 13 de março de 1971, quando a Estrada de Ferro foi desativada.
O prédio da antiga Estação Ferroviária abriga hoje o Museu Histórico Cultural, sendo um ponto turístico pela beleza arquitetônica e importância histórica.
A consolidação
econômica
A partir da década de 30 o centro da cidade se estabeleceu em seu local atual devido também ao desenvolvimento acelerado da extração da madeira até os anos 60. Com o ritmo acelerado das serrarias, do transporte e da boa localização geográfica, Rio do Sul viria a se consolidar como polo regional na década de 60, devido ainda ao uso urbano, das edificações e do lucro obtido com o ciclo da madeira.
A floresta da região continha espécies como canela-preta, peroba vermelha e imbuia, além da canela-sassafrás que era beneficiada nas destilarias e exportada para os Estados Unidos e Europa. As décadas de 50 e 60 marcam o período da construção das principais edificações no centro como indústrias, igreja, hospitais, bancos, colégios e casas comerciais.
A extração da madeira chega ao fim por volta da década de 70, período em que a cidade apresenta um declínio econômico que se reflete também durante os anos 80, quando as enchentes afetaram a estrutura da cidade e a vida dos riossulenses.
Produção da fécula de mandioca
A economia da cidade também foi incrementada com a produção de fécula de mandioca, atividade que deu início a muitas empresas na região. Com o tempo, a plantação da mandioca migrou para outros estados.
Enchentes
1983 e 1984
Há relatos sobre as enchentes no Vale do Itajaí desde 1851. Porém, existem poucas informações a respeito dessa época. Já algumas das cheias do último século ainda fazem parte do consciente coletivo riossulense.
Em 1954, a cidade foi duramente atingida e sofreu grandes prejuízos no centro e no interior com as águas que subiram até o nível de 11,88 metros. O diário de Francisco Frankenberger, o documento mais antigo de Rio do Sul, também já registrava a ocorrência de enchentes na região. Porém, foi em 1983 e 1984 que a cidade sofreu as duas maiores cheias já registradas. Rio do Sul foi a cidade mais atingida, pois devido a sua posição geográfica permaneceu durante todo o período inundada e incomunicável.
Decretado o estado de emergência, Rio do Sul recebeu auxílio com medicamentos, roupas e alimentos. Muitos dos arquivos históricos da cidade foram perdidos com as enchentes, além dos prejuízos econômicos e de infraestrutura. Porém, a tragédia também serviu para despertar o sentimento de solidariedade e trabalho para a reconstrução da cidade, bem como chamar a atenção das autoridades e da população para um problema urbano da cidade.
Rumo ao futuro
Após o fim do ciclo da madeira e da produção de fécula de mandioca, Rio do Sul entrou em um período de estagnação, que se agravou nos anos 80 com as grandes enchentes que afetaram a vida das pessoas de toda a região. O setor metal-mecânico se consolidou, assim como o têxil, o comércio e a prestação de serviços e hoje uma economia diversificada movimenta as riquezas da cidade.
Rio do Sul recebeu investimentos em setores, como a construção civil, que modificaram o cenário e a rotina da população. O riossulense é hoje um povo dedicado ao trabalho e que ainda preserva as tradições trazidas pelos imigrantes através das festas, gastronomia e esporte. O fluxo de novas pessoas também modifica o jeito de viver da comunidade que comemora 80 anos com a expectativa de continuar a construir a história de uma cidade bonita e sustentável.
Notícia relacionada à revista: Especial Rio do Sul 80 Anos abr/2011



