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04/04/2011
A atuação do poder público municipal no desenvolvimento da cidade
Para o prefeito de Rio do Sul, Milton Hobus, a gestão pública deve atuar como motivadora do desenvolvimento de uma cidade, e de forma estratégica criar um ambiente propício a investimentos. De acordo com Milton, é assim que a Prefeitura tem trabalhado, através de ações e projetos em diferentes áreas. Na entrevista, o prefeito avalia os principais setores econômicos de Rio do Sul e aponta caminhos para o futuro da cidade.
Sucesso S/A: Como avalia a economia de Rio do Sul? Podemos considerar uma economia diversificada e quais os setores que mais tem se destacado?
Milton Hobus: O grande mérito da cidade de Rio do Sul, graças à visão empreendedora da nossa gente, é a diversidade econômica. A partir do momento em que a cidade passou a ser vista como um polo que erradia oportunidades, recebeu mais investimentos em todas as áreas. A prestação de serviços cresceu muito, como a educação, a saúde e o judiciário com a vinda da Justiça Federal e das varas. Na análise de 2010, Rio do Sul foi a segunda cidade com maior geração de emprego per capita de Santa Catarina, próxima da primeira que é Concórdia, e com um diferencial muito grande porque em Concórdia o grande alavancador é o agronegócio, o que em certos momentos a deixa vulnerável por qualquer efeito de instabilidade. E além da prestação de serviço, do têxtil, do metal mecânico, do comércio cada vez mais forte, temos a construção civil que nos últimos anos bateu todos os recordes. E é um grande alavancador do desenvolvimento econômico local. Se a construção civil vai bem é porque as pessoas estão acreditando e investindo na cidade.
Sucesso S/A: E a agricultura, o que ela representa para a cidade? Quais produtos são mais cultivados e o que a Prefeitura está fazendo para incentivar esse setor?
Milton Hobus: Rio do Sul é um município urbano. A cidade tem uma área geográfica pequena. E a agricultura tem ainda cerca de mil famílias vivendo das propriedades. E também conseguimos tirar aquela dependência do fumo. Muitos pararam de produzí-lo e hoje produzem para a merenda escolar do município com muito mais agregação de valor. Nós incentivamos as associações de agricultores das valadas. Além de já ter dotado de equipamentos, fizemos um plano para 2011 e 2012 de substituir equipamentos das associações. São cinco associações e todas vão terminar o nosso mandato com equipamentos novos. São as formas de contribuir para o ânimo do agricultor. Temos a rizicultura como a mais consolidada, alguma coisa de fumo, milho e todo o restante da produção está na fruticultura e hortaliças, em função até do incentivo que demos para a merenda escola. Porém, o grande desafio é instigar os produtores a fazer plano de negócios para a propriedade, e com orientação técnica terá menos esforço e mais resultados. Participo de todas as reuniões do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, além de fazer reuniões anuais e um evento da Saúde do Trabalhador Rural em cada valada. São coisas que o agricultor nunca teve.
Sucesso S/A: Uma avaliação do período atual da indústria em Rio do Sul. Como está o nível de produtos e tecnologia?
Milton Hobus: A indústria riossulense, principalmente a metal-mecânica, é exemplo, com empresas líderes no mercado nacional e internacional, com uso de ferramentas modernas e da gestão empresarial, e por isso temos uma solidez muito grande. E todas com déficit ocupacional, faltando mão de obra. Isso mostra a força e pujança do nosso empresariado local, mesmo que pese todo o ambiente macroeconômico desfavorável, com câmbio incompatível, com o preço das commodities internas subindo mais que no exterior, com o câmbio irreal em sentido inverso na China, que faz com que a competitividade nacional fique cada vez pior. Com tudo isso, estamos ainda mantendo a atividade industrial em picos de produção, todas as empresas com demanda reprimida, com falta de mão de obra. É um momento muito rico e isso se deve à força empreendedora da nossa gente e do empresariado.
Sucesso S/A: Infraestrutura. Foi um dos pontos em que a cidade teve maiores mudanças nos últimos anos. O que ainda deve ser feito nesta área?
Milton Hobus: Temos um projeto muito ambicioso, o “Rio do Sul do Futuro”. Lançamos o projeto em 2005 e muitas pessoas nos chamaram de loucos porque entendiam que era impossível fazer tudo. O resultado é que fizemos mais. Isso ajudou a impulsionar o desenvolvimento, os investidores passaram a acreditar mais na cidade. O Elevado Deputado José Thomé, que é um símbolo desse desenvolvimento, foi uma obra contestada no início, mas além da funcionalidade para o sistema viário, foi um indultor desse desenvolvimento. E agora temos previstos para 2011 e 2012, com recursos dos municípios mais parcerias com o Estado e com o que podemos conseguir com o governo federal, atingir na área de infraestrutura a meta de investimento de R$ 50 milhões, além dos investimentos na área de saneamento e água que serão cerca de R$ 70 milhões. Só nesse ano temos assegurados R$ 35 milhões em investimentos em infraestrutura que começa pela sexta etapa do sistema viário central. Vamos iniciar os processos licitatórios, como para o asfaltamento do Fundo Canoas. Queremos deixar nossa cidade boa em infraestrutura, inclusive com a parte das drenagens pluviais que são investimentos grandes, preparando a cidade para o futuro, além de investimentos fortes na pavimentação de bairros.
Sucesso S/A: Um balanço da situação na área da saúde...
Milton Hobus: Tenho dito em cada evento da saúde que está ficando cada vez mais difícil de o cidadão ficar doente. Porque da forma como o Sistema Único de Saúde está sendo tratado, pela falta de investimentos e recursos, as pessoas não vão mais conseguir assistência médica, e quando conseguem leva tempo. Então, a medicina curativa está entrando em colapso no país e o que resta para os municípios é fazer a verdadeira promoção e prevenção da saúde pública em todas as idades. E Rio do Sul está fazendo isso como poucos no país. Fizemos um trabalho fabuloso com as gestantes e recém-nascidos que diminuiu nossa estatística de mortalidade infantil. Recebemos dois prêmios e uma auditoria da Univali que colocou Rio do Sul como a melhor cidade do Brasil em saúde bucal de crianças de 0 a 12 anos. Isso é um investimento valioso porque as crianças terão menos problemas de doenças no futuro. Somos a única cidade que se tem notícias que faz o “Saúde do Trabalhador” como fazemos, e que tem a função de detectar doenças graves e promover um ambiente propício à vida saudável. As palestras são nessa direção. Eu digo nos encontros que com um pouco de cuidado de cada um a qualidade de vida aumenta muito. Como exemplo a terceira idade. Começamos um trabalho em 2005, e não foram só remédios para hipertensos e diabéticos. Fomos além. Entregamos e monitoramos todos os medicamentos. E o resultado é ter pessoas mais longevas, com mais qualidade de vida e menos internações. E o resultado está aí, para todos verem como a promoção de saúde pública muda a qualidade de vida.
Sucesso S/A: O que a cidade tem feito para trazer mais empresas, mais negócios para Rio do Sul?
Milton Hobus: Trabalhamos com uma atuação estratégica, que coloca a ação pública como um indultor do desenvolvimento local. Fizemos isso em todos os segmentos. Nós chamamos, no Segunda-Feira com o Prefeito, em 2005, todos os segmentos produtivos e falamos para eles o rumo que a cidade iria e onde eles se inseriam. Convocamos para que eles acreditassem e passassem a investir. Fizemos uma outra ação, que foi um dos principais motivadores do início da revolução imobiliária em Rio do Sul. A adequação da planta de valores da cidade, com o critério de não reduzir a alíquota do imposto dos terrenos baldios. Reduzimos a alíquota do imposto só para onde estava construído, para que não desse um baque na população como um todo e pudéssemos acabar um pouco com a especulação imobiliária. Todos os terrenos novos passaram a se voltar para os investimentos, por isso saíram tantos prédios e construções e isso ajudou a dar o boom imobiliário em Rio do Sul. Criamos a engrenagem de um período virtuoso onde uma ação foi puxando a outra. Outro fator decisivo para investimentos, principalmente na área de serviços e comércio, foi transformar a imagem de Rio do Sul como Capital do Alto Vale, e sim trazer a ideia de ela ser a segunda cidade de cada cidadão do Alto Vale. As áreas de entretenimento cresceram muito porque houve fluxo variado de pessoas. Isso foi incentivado para que tivéssemos cada vez mais pessoas da região convivendo em Rio do Sul. E para todo o projeto de infraestrutura, eu sempre disse que devemos preparar a cidade não para os nossos 60 mil habitantes, mas para os 260 mil habitantes do Alto Vale. Ao analisar quantas empresas da região, do ramo do comércio e serviços, se instalaram em Rio do Sul há surpresas. Tivemos muitos investimentos e todos os recordes de abertura de empresas foram batidos, de toda a história dos 80 anos de Rio do Sul. É o ambiente propício ao investimento e é isso que o poder público tem a missão de criar.
Sucesso S/A: As creches, a Escola Modelo, as aulas de empreendedorismo. O que mais foi feito na área da Educação e que está sendo planejado para os próximos anos?
Milton Hobus: A educação nós vamos consolidar. Esse ano vamos inaugurar a Escola Modelo do Rainha. Só em 2011 vamos investir mais de R$ 2 milhões para concluir a escola e vamos atingir uma marca inédita, de estar oferecendo contraturno para 100% das crianças do ensino fundamental das escolas públicas municipais. Acredito que seremos a primeira cidade do Brasil a atingir isso. E o mais importante, esse modelo de educação empreendedora, em que incluímos o curso do primeiro emprego, que é o que eu acredito que vai mudar as gerações. E deve ser feita nessa idade porque com o volume de informações e conceitos de vida da modernidade estamos perdendo uma grande parte da nossa juventude, para as drogras, tendo jovens descompromissados, sem censo de responsabilidade e princípios de valores. Essa é uma grande preocupação, e por isso estamos investindo na educação empreendedora, na escola de período integral. Deve haver uma educação contundente para provocar o adolescente a querer ser alguém na vida, a vencer, para ele saber o valor do trabalho, que nada cai do céu, que não é feio começar de baixo e sujar as mãos. É isso que estamos passando para eles e disso eu não abro mão.
Sucesso S/A: Qual o real potencial do turismo na cidade atualmente?
Milton Hobus: Temos um grande impeditivo na nossa região que deve ser pensado de forma integrada, porque estamos todos interligados. O grande entrave é a logística, a infraestrutura de acessos. Dependemos basicamente da BR 470, e isso é um atraso, que está cerceando o nosso crescimento. Mas hoje, em função do bom momento econômico, temos o turismo de negócios e turismo de eventos muito bem explorados na nossa região. Isso está sendo muito significativo.
Sucesso S/A: Quais as características do povo riossulense que o diferenciam das pessoas de outras regiões?
Milton Hobus: É um povo empreendedor e solidário. Essas duas palavras mostram o que é a nossa gente. É solidária e ativa em tudo que está envolvida. É um povo muito empreendedor e se espelha em exemplos de sucesso que são a grande maioria das empresas locais, oriundas da força empreendedora que brotou nessa gente que vive aqui.
Sucesso S/A: Daqui a 20 anos, Rio do Sul completa o seu primeiro centenário. Como gostaria de ver a cidade e o que deve ser feito em termos de gestão pública nesse período?
Milton Hobus: Tenho convicção que pela própria vontade da população, muitas coisas que introduzimos aqui não poderão ser mudadas. A própria população não vai aceitar que mude. Quem vai ter coragem de mudar um modelo de educação desses? É uma garantia para o futuro. Inclusive, estamos transformando isso em lei. Quem vai ter coragem de mudar os programas de promoção de saúde que estamos transformando em leis municipais? Não vejo alguém com capacidade para mudar isso porque o povo não aceitaria. Essa preocupação com a solidez e a consolidação dos projetos que diz respeito à qualidade de vida vão garantir chegarmos bem ao centenário. Nossa cidade vai estar mais madura, mais pujante, forte e bonita porque muitas coisas difíceis estão sendo feitas. E até o final de 2012 temos esses desafios com os projetos difíceis, para que as mais fáceis outros venham a fazer.
Sucesso S/A: Como avalia a economia de Rio do Sul? Podemos considerar uma economia diversificada e quais os setores que mais tem se destacado?
Milton Hobus: O grande mérito da cidade de Rio do Sul, graças à visão empreendedora da nossa gente, é a diversidade econômica. A partir do momento em que a cidade passou a ser vista como um polo que erradia oportunidades, recebeu mais investimentos em todas as áreas. A prestação de serviços cresceu muito, como a educação, a saúde e o judiciário com a vinda da Justiça Federal e das varas. Na análise de 2010, Rio do Sul foi a segunda cidade com maior geração de emprego per capita de Santa Catarina, próxima da primeira que é Concórdia, e com um diferencial muito grande porque em Concórdia o grande alavancador é o agronegócio, o que em certos momentos a deixa vulnerável por qualquer efeito de instabilidade. E além da prestação de serviço, do têxtil, do metal mecânico, do comércio cada vez mais forte, temos a construção civil que nos últimos anos bateu todos os recordes. E é um grande alavancador do desenvolvimento econômico local. Se a construção civil vai bem é porque as pessoas estão acreditando e investindo na cidade.
Sucesso S/A: E a agricultura, o que ela representa para a cidade? Quais produtos são mais cultivados e o que a Prefeitura está fazendo para incentivar esse setor?
Milton Hobus: Rio do Sul é um município urbano. A cidade tem uma área geográfica pequena. E a agricultura tem ainda cerca de mil famílias vivendo das propriedades. E também conseguimos tirar aquela dependência do fumo. Muitos pararam de produzí-lo e hoje produzem para a merenda escolar do município com muito mais agregação de valor. Nós incentivamos as associações de agricultores das valadas. Além de já ter dotado de equipamentos, fizemos um plano para 2011 e 2012 de substituir equipamentos das associações. São cinco associações e todas vão terminar o nosso mandato com equipamentos novos. São as formas de contribuir para o ânimo do agricultor. Temos a rizicultura como a mais consolidada, alguma coisa de fumo, milho e todo o restante da produção está na fruticultura e hortaliças, em função até do incentivo que demos para a merenda escola. Porém, o grande desafio é instigar os produtores a fazer plano de negócios para a propriedade, e com orientação técnica terá menos esforço e mais resultados. Participo de todas as reuniões do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, além de fazer reuniões anuais e um evento da Saúde do Trabalhador Rural em cada valada. São coisas que o agricultor nunca teve.
Sucesso S/A: Uma avaliação do período atual da indústria em Rio do Sul. Como está o nível de produtos e tecnologia?
Milton Hobus: A indústria riossulense, principalmente a metal-mecânica, é exemplo, com empresas líderes no mercado nacional e internacional, com uso de ferramentas modernas e da gestão empresarial, e por isso temos uma solidez muito grande. E todas com déficit ocupacional, faltando mão de obra. Isso mostra a força e pujança do nosso empresariado local, mesmo que pese todo o ambiente macroeconômico desfavorável, com câmbio incompatível, com o preço das commodities internas subindo mais que no exterior, com o câmbio irreal em sentido inverso na China, que faz com que a competitividade nacional fique cada vez pior. Com tudo isso, estamos ainda mantendo a atividade industrial em picos de produção, todas as empresas com demanda reprimida, com falta de mão de obra. É um momento muito rico e isso se deve à força empreendedora da nossa gente e do empresariado.
Sucesso S/A: Infraestrutura. Foi um dos pontos em que a cidade teve maiores mudanças nos últimos anos. O que ainda deve ser feito nesta área?
Milton Hobus: Temos um projeto muito ambicioso, o “Rio do Sul do Futuro”. Lançamos o projeto em 2005 e muitas pessoas nos chamaram de loucos porque entendiam que era impossível fazer tudo. O resultado é que fizemos mais. Isso ajudou a impulsionar o desenvolvimento, os investidores passaram a acreditar mais na cidade. O Elevado Deputado José Thomé, que é um símbolo desse desenvolvimento, foi uma obra contestada no início, mas além da funcionalidade para o sistema viário, foi um indultor desse desenvolvimento. E agora temos previstos para 2011 e 2012, com recursos dos municípios mais parcerias com o Estado e com o que podemos conseguir com o governo federal, atingir na área de infraestrutura a meta de investimento de R$ 50 milhões, além dos investimentos na área de saneamento e água que serão cerca de R$ 70 milhões. Só nesse ano temos assegurados R$ 35 milhões em investimentos em infraestrutura que começa pela sexta etapa do sistema viário central. Vamos iniciar os processos licitatórios, como para o asfaltamento do Fundo Canoas. Queremos deixar nossa cidade boa em infraestrutura, inclusive com a parte das drenagens pluviais que são investimentos grandes, preparando a cidade para o futuro, além de investimentos fortes na pavimentação de bairros.
Sucesso S/A: Um balanço da situação na área da saúde...
Milton Hobus: Tenho dito em cada evento da saúde que está ficando cada vez mais difícil de o cidadão ficar doente. Porque da forma como o Sistema Único de Saúde está sendo tratado, pela falta de investimentos e recursos, as pessoas não vão mais conseguir assistência médica, e quando conseguem leva tempo. Então, a medicina curativa está entrando em colapso no país e o que resta para os municípios é fazer a verdadeira promoção e prevenção da saúde pública em todas as idades. E Rio do Sul está fazendo isso como poucos no país. Fizemos um trabalho fabuloso com as gestantes e recém-nascidos que diminuiu nossa estatística de mortalidade infantil. Recebemos dois prêmios e uma auditoria da Univali que colocou Rio do Sul como a melhor cidade do Brasil em saúde bucal de crianças de 0 a 12 anos. Isso é um investimento valioso porque as crianças terão menos problemas de doenças no futuro. Somos a única cidade que se tem notícias que faz o “Saúde do Trabalhador” como fazemos, e que tem a função de detectar doenças graves e promover um ambiente propício à vida saudável. As palestras são nessa direção. Eu digo nos encontros que com um pouco de cuidado de cada um a qualidade de vida aumenta muito. Como exemplo a terceira idade. Começamos um trabalho em 2005, e não foram só remédios para hipertensos e diabéticos. Fomos além. Entregamos e monitoramos todos os medicamentos. E o resultado é ter pessoas mais longevas, com mais qualidade de vida e menos internações. E o resultado está aí, para todos verem como a promoção de saúde pública muda a qualidade de vida.
Sucesso S/A: O que a cidade tem feito para trazer mais empresas, mais negócios para Rio do Sul?
Milton Hobus: Trabalhamos com uma atuação estratégica, que coloca a ação pública como um indultor do desenvolvimento local. Fizemos isso em todos os segmentos. Nós chamamos, no Segunda-Feira com o Prefeito, em 2005, todos os segmentos produtivos e falamos para eles o rumo que a cidade iria e onde eles se inseriam. Convocamos para que eles acreditassem e passassem a investir. Fizemos uma outra ação, que foi um dos principais motivadores do início da revolução imobiliária em Rio do Sul. A adequação da planta de valores da cidade, com o critério de não reduzir a alíquota do imposto dos terrenos baldios. Reduzimos a alíquota do imposto só para onde estava construído, para que não desse um baque na população como um todo e pudéssemos acabar um pouco com a especulação imobiliária. Todos os terrenos novos passaram a se voltar para os investimentos, por isso saíram tantos prédios e construções e isso ajudou a dar o boom imobiliário em Rio do Sul. Criamos a engrenagem de um período virtuoso onde uma ação foi puxando a outra. Outro fator decisivo para investimentos, principalmente na área de serviços e comércio, foi transformar a imagem de Rio do Sul como Capital do Alto Vale, e sim trazer a ideia de ela ser a segunda cidade de cada cidadão do Alto Vale. As áreas de entretenimento cresceram muito porque houve fluxo variado de pessoas. Isso foi incentivado para que tivéssemos cada vez mais pessoas da região convivendo em Rio do Sul. E para todo o projeto de infraestrutura, eu sempre disse que devemos preparar a cidade não para os nossos 60 mil habitantes, mas para os 260 mil habitantes do Alto Vale. Ao analisar quantas empresas da região, do ramo do comércio e serviços, se instalaram em Rio do Sul há surpresas. Tivemos muitos investimentos e todos os recordes de abertura de empresas foram batidos, de toda a história dos 80 anos de Rio do Sul. É o ambiente propício ao investimento e é isso que o poder público tem a missão de criar.
Sucesso S/A: As creches, a Escola Modelo, as aulas de empreendedorismo. O que mais foi feito na área da Educação e que está sendo planejado para os próximos anos?
Milton Hobus: A educação nós vamos consolidar. Esse ano vamos inaugurar a Escola Modelo do Rainha. Só em 2011 vamos investir mais de R$ 2 milhões para concluir a escola e vamos atingir uma marca inédita, de estar oferecendo contraturno para 100% das crianças do ensino fundamental das escolas públicas municipais. Acredito que seremos a primeira cidade do Brasil a atingir isso. E o mais importante, esse modelo de educação empreendedora, em que incluímos o curso do primeiro emprego, que é o que eu acredito que vai mudar as gerações. E deve ser feita nessa idade porque com o volume de informações e conceitos de vida da modernidade estamos perdendo uma grande parte da nossa juventude, para as drogras, tendo jovens descompromissados, sem censo de responsabilidade e princípios de valores. Essa é uma grande preocupação, e por isso estamos investindo na educação empreendedora, na escola de período integral. Deve haver uma educação contundente para provocar o adolescente a querer ser alguém na vida, a vencer, para ele saber o valor do trabalho, que nada cai do céu, que não é feio começar de baixo e sujar as mãos. É isso que estamos passando para eles e disso eu não abro mão.
Sucesso S/A: Qual o real potencial do turismo na cidade atualmente?
Milton Hobus: Temos um grande impeditivo na nossa região que deve ser pensado de forma integrada, porque estamos todos interligados. O grande entrave é a logística, a infraestrutura de acessos. Dependemos basicamente da BR 470, e isso é um atraso, que está cerceando o nosso crescimento. Mas hoje, em função do bom momento econômico, temos o turismo de negócios e turismo de eventos muito bem explorados na nossa região. Isso está sendo muito significativo.
Sucesso S/A: Quais as características do povo riossulense que o diferenciam das pessoas de outras regiões?
Milton Hobus: É um povo empreendedor e solidário. Essas duas palavras mostram o que é a nossa gente. É solidária e ativa em tudo que está envolvida. É um povo muito empreendedor e se espelha em exemplos de sucesso que são a grande maioria das empresas locais, oriundas da força empreendedora que brotou nessa gente que vive aqui.
Sucesso S/A: Daqui a 20 anos, Rio do Sul completa o seu primeiro centenário. Como gostaria de ver a cidade e o que deve ser feito em termos de gestão pública nesse período?
Milton Hobus: Tenho convicção que pela própria vontade da população, muitas coisas que introduzimos aqui não poderão ser mudadas. A própria população não vai aceitar que mude. Quem vai ter coragem de mudar um modelo de educação desses? É uma garantia para o futuro. Inclusive, estamos transformando isso em lei. Quem vai ter coragem de mudar os programas de promoção de saúde que estamos transformando em leis municipais? Não vejo alguém com capacidade para mudar isso porque o povo não aceitaria. Essa preocupação com a solidez e a consolidação dos projetos que diz respeito à qualidade de vida vão garantir chegarmos bem ao centenário. Nossa cidade vai estar mais madura, mais pujante, forte e bonita porque muitas coisas difíceis estão sendo feitas. E até o final de 2012 temos esses desafios com os projetos difíceis, para que as mais fáceis outros venham a fazer.
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