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05/10/2010

Menopausa & Andropausa

Os efeitos da diminuição hormonal

A expectativa de vida cresceu significativamente nas últimas décadas e a longevidade deixa mais evidente em homens e mulheres os efeitos da diminuição hormonal. A menopausa é bastante conhecida e afeta todas as mulheres. Já a andropausa atinge apenas uma parcela dos homens e ainda é pouco difundida. O preconceito existe e muitas pessoas não compreendem essa fase natural. Por isso, preparamos uma matéria explicando mais sobre esse período de transição, seus sintomas e os tratamentos.
Por: Luísa d'Avila Strelow – Acadêmica de Medicina da Univali/Itajaí-SC,
Celomar Strelow – Ginecologista e Obstetra/Diagnóstico por Imagem e
Enio Bächle – Urologista, mestrado em Clínica Cirúrgica

ginecologia
fonte: Celomar Strelow
médico ginecologista e obstetra /
diagnóstico por imagem
e Luísa d’Avila Strelow
acadêmica de medicina da
Univali / Itajaí-SC

MENOPAUSA
Uma fase de transição na vida da mulher

Definida como a última menstruação da mulher, causada pela falha ovariana, a Menopausa faz parte do período climatério. Este período inicia por volta dos quarenta anos com a falha dos ovários, órgão produtor de hormônios do sexo feminino, e termina na senilidade, aos sessenta e cinco anos.
Conhecido por causar sintomas acentuados nas mulheres, o período do climatério se caracteriza principalmente pela queda de produção dos hormônios ovarianos, principalmente o estrogênio. Segundo o médico ginecologista e obstetra, Dr. Celomar Strelow, o sintoma mais importante da fase inicial deste período é a irregularidade menstrual. Fase que perdura de dois a oito anos até realmente chegar a última menstruação.
Os demais sintomas costumam iniciar após a menopausa de fato. Entre eles, estão os chamados sintomas vasomotores, caracterizados pelos calorões, sudorese excessiva, palpitações, cefaléia e tontura. Outras consequências importantes da diminuição hormonal são o ressecamento da mucosa vaginal e da pele, diminuição da libido (desejo sexual), dores musculares e articulares, em função da diminuição da lubrificação destas estruturas pela falta do estrogênio. “Muitas das pacientes que procuram assistência médica apresentam algum grau de depressão, ansiedade e irritabilidade. Estas não parecem estar diretamente associadas às alterações hormonais, e são decorrentes provavelmente de distúrbios psicológicos associados, dentre outros fatores, à aceitação do envelhecimento e da perda da capacidade de procriação”, ressalta o médico.
Alterações metabólicas também são consequências tardias da menopausa, entre elas as doenças cardiovasculares e a osteoporose. “O aumento dos níveis de colesterol associado à obesidade e aumento da pressão arterial propicia o início dos eventos cardiovasculares. Já a osteoporose surge também em decorrência da baixa hormonal, havendo uma maior reabsorção em relação à formação de nova massa óssea”, explica a estudante de Medicina, Luísa d'Avila Strelow.

TERAPIA HORMONAL

A fim de melhorar a qualidade de vida das mulheres nessa etapa de seu ciclo reprodutivo e, também, de prevenir e tratar algumas patologias é utilizada a chamada Terapia Hormonal (TH). Embora a reposição hormonal esteja disponível há mais de seis décadas, há divergências em relação aos seus riscos e benefícios. Estudos randomizados e controlados, publicados nos últimos anos, questionaram algumas indicações formais da TH, dentre elas a prevenção de doenças cardiovasculares.
Porém, mesmo dentro de tantas dúvidas e controvérsias, hoje está estabelecida a aplicação dessa terapia na preservação da massa óssea e subsequente redução do risco de fraturas. “Além da terapia hormonal, podemos citar tantos outros tratamentos que hoje, através de diferentes classes de medicamentos, podem ser priorizadas de acordo com as manifestações clínicas e fatores de risco das pacientes, são elas: correção da disfunção menstrual nos períodos iniciais do climatério, melhoria dos sintomas vasomotores, prevenção e tratamento da atrofia urogenital (lubrificação vaginal), melhora da sexualidade e prevenção das alterações tróficas de pele” explica Dr. Celomar.
A estudante de medicina, Luísa d'Avila Strelow ressalta, ainda, a importância das neoplasias mamárias e uterinas (endométrio e colo) nas mulheres que estão nesta faixa etária. “O rastreamento pode ser feito através da mamografia bilateral, ultrassom endovaginal e colpocitologia oncótica, respectivamente, e cada um destes métodos apresenta indicações clínicas específicas de início e continuidade da investigação”, afirma.
O climatério é uma fase de transição na vida das mulheres e hoje, com o aumento na expectativa de vida e das condições de saúde da população, é essencial a informação para que as mulheres possam reconhecer os sintomas deste período e assim, buscar o auxílio de profissionais que possam orientar em relação à terapia hormonal e outras alternativas para minimizar os impactos desta transição.

urologia
fonte: Enio Bächle
médico urologista
mestrado em clínica cirúrgica

ANDROPAUSA
A importância de aceitar o
envelhecimento natural

Não é só a mulher que sofre com a queda de hormônios, que acaba levando à menopausa. Os homens também podem sofrer com a diminuição do hormônio masculino. É a chamada andropausa, atualmente melhor definida como Déficit Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), que é a diminuição do hormônio masculino testosterona; levando a distúrbios sexuais e problemas físicos e psíquicos. “Os homens ainda têm dificuldade em reconhecer e lidar com o problema, tendo em vista que os sintomas da Andropausa (DAEM) se confundem com os sinais do envelhecimento normal”, explica o médico urologista, Dr. Enio Bächle.
Os principais sinais e sintomas são a diminuição da libido e da qualidade das ereções; alterações do humor com diminuição da atividade intelectual e orientação espacial, depressão, diminuição da força e massa muscular, cansaço, alterações na distribuição da gordura corpórea com acúmulo no abdômen e alterações do sono. Porém, este quadro clínico pode decorrer de várias situações, independentes da deficiência androgênica, tais como depressão, estresse, falta de atividade sexual por falta de parceira, vida sedentária, medicações e co-morbidades. Por isso, o quadro clínico não é suficiente para justificar a reposição hormonal, e deve haver confirmação laboratorial. Ainda não existem evidências suficientes na literatura para respaldar a reposição androgênica em homens sintomáticos com níveis normais de testosterona.

O CUIDADO NA HORA
DO TRATAMENTO

A reposição androgênica é um tratamento em longo prazo. “As medicações podem ser administradas por diferentes vias, sendo a intramuscular a mais utilizada. A reposição além do necessário pode ser acompanhada por riscos para a próstata (piora de quadros de obstrução urinária), fígado, mama (ginecomastia), piora de dislipidemia (oscilação das taxas de colesterol), policitemia (distúrbios das células sanguíneas) ou apneia do sono. Assim, o câncer de próstata e de mama são contra indicações absolutas para a reposição de testosterona”, ressalta Dr. Enio.
A hiperplasia benigna da próstata, policitemia, apneia do sono, ginecomastia e insuficiência hepática constituem contraindicações relativas. Aconselha-se que no primeiro ano o paciente seja avaliado trimestralmente; fazendo-se o toque retal, dosando-se os níveis sanguíneos do antígeno prostático específico (PSA), colesterol total e suas frações, triglicérides, enzimas hepáticas e hemograma. A partir do segundo ano a avaliação pode ser anual. O parâmetro de melhora é a evolução clínica do paciente.

fique sabendo...

o que é ESTROGÊNIO...

O estrogênio é um hormônio feminino produzido a partir da adolescência — período que aparecem os primeiros sinais sexuais secundários na mulher. Sua produção se estende até a menopausa. Ele age sobre as células, anatomia e sobre o comportamento.
O estrogênio é produzido pelo folículo ovariano em maturação. Esse hormônio é fabricado pelos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual.Além de ser responsável pela textura da pele feminina, o hormônio está relacionado ao equilíbrio entre as gorduras no sangue, colesterol e HDL – colesterol.
Durante a fase de crescimento, a quantidade de estrogênio produzida no organismo influencia o desenvolvimento dos ossos e a textura da pele, afetando a aparência da mulher. Nas mulheres com maior índice de estrogênio, os rostos tendem a ter traços femininos “clássicos” — como olhos e lábios grandes e narizes e maxilares menores. Por isso, as mulheres com alto nível do hormônio estrogênio normalmente são consideradas mais bonitas.

o que é TESTOSTERONA...

O hormônio masculino testosterona é produzido por células nos testículos, que são estimulados por hormônios produzidos por uma glândula na base do cérebro chamada hipófise. Na adolescência, é responsável pelas características sexuais, como desenvolvimento do pênis, aumento dos pelos, mudança de voz e aumento da massa muscular. Os testículos são responsáveis por cerca de 90% da produção de testosterona. Entre os fatores que podem determinar a Andropausa ou DAEM está a falência e atrofia dos testículos, que pode ocorrer em qualquer idade e causar a queda na produção hormonal.
A diminuição da testosterona é um fenômeno comum, faz parte do envelhecimento. Homens na faixa dos 40 anos começam a perder entre 1% e 2% do hormônio por ano. Cerca de 20 a 30% dos homens sofrem repercussão clínica significativa.
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Notícia relacionada à revista: Edição Saúde out/2010